Notícias: Modelo low cost “vencerá”, garante Ryanair

Publicado por em 29/07/2008

Rogerio Milani
Enganam-se os que pensam que o modelo low cost vai sucumbir com o encarecimento dos combustíveis — é a mensagem que a Ryanair, e designadamente o seu CEO, Michael O’Leary, reafirmaram hoje, ao divulgarem as contas da companhia nos três meses terminados a 30 de Junho. “Lowest cost always win” é a frase com que termina a apresentação das contas da Ryanair, depois de reafirmar o objetivo de duplicar o número de passageiros e os lucros até 2012.
As virtualidades do modelo da Ryanair, na qual se inclui a promessa de “nunca” aplicar sobretaxas de combustível, é também parte substancial da mensagem de Michael O’Leary incluída no balanço do trimestre. “A morte do transporte aéreo de baixas tarifas está outra vez a ser prognosticada pelas companhias de altas tarifas como a BA e outras que continuam a perder tráfego [do segmento] de curta distância para a Ryanair”, começa por atacar O’Leary, que de novo avança a perspectiva de que a crise actual, pelo contrário, é favorável ao modelo low cost. Os consumidores vão ficar mais “sensíveis” ao preço e, por consequência, vão mudar-se em maior número para as transportadoras low cost, argumenta o CEO da Ryanair, que ainda “puxa a brasa à sua sardinha” quando argumenta que a companhia terá mais margem para crescer porque outra das consequências da crise atual é a redução da competição, por falências e reduções de capacidade das concorrentes. “Os elevados preços do petróleo vão acelerar o declínio das altas tarifas para o transporte aéreo de curta distância neste Inverno, porque muitas companhias europeias se fundirão ou irão para a falência”, prognostica O’Leary, que, embora considere que, no médio prazo, é insustentável uma situação de preço do petróleo nos 130 dólares por barril, admite que o problema é que não é possível quando cairá o preço do combustível. “A indústria da aviação é cíclica e este ciclo de baixa irá gerar enormes oportunidades de crescimento para companhia fortes e bem financiadas como a Ryanair”, diz ainda O’Leary. “Vamos responder, como sempre fizemos, com baixas tarifas e preços agressivos para mantermos as pessoas voando e as nossas altas taxas de ocupação”, promete o CEO da Ryanair, que avança mesmo com a perspectiva de no exercício, que termina a 30 de Março de 2009, a companhia ter uma queda da tarifa média em 5%.

A despeito destas considerações, Michal O’Leary admite que o “aperto” da capacidade é para continuar. A Ryanair, que nas últimas semanas anunciou fortes reduções de capacidade, em Stansted, Dublin, Valência e Palma de Maiorca, alegando altos custos dos aeroportos, deu a indicação que o “aperto” é para continuar. A low cost, diz o CEO, prevê ter um crescimento do número de passageiros em apenas 9% no próximo Inverno (estação IATA, que vai de finais de Outubro a finais de Março) e 14% na totalidade do exercício, para 58 milhões, quando anteriormente previa um aumento em 16%.

O’Leary avança que a companhia, além das ações já anunciadas, vai prosseguir uma estratégia de desviar capacidade para aeroportos e bases com custos mais baixos. Outras ações anunciadas pelo CEO da Ryanair centram-se na redução de custos com aeroportos, nomeadamente pela introdução de quiosques, e ainda no hedging dos preços dos combustíveis. O’Leary indicou que a companhia tem coberturas que atingem 90% das suas necessidades para o mês de Setembro ao preço equivalente do barril de petróleo de 129 dólares e 80% das necessidades estimadas para o último trimestre do ano (terceiro do exercício), a 124 dólares. Mas daí para a frente, não tem coberturas, admite o CEO da Ryanair que caracteriza a escalada dos preços do petróleo como uma “exuberância irracional” e promete que a companhia continuará a “absorver os elevados preços do petróleo, mesmo que isso acarrete perdas no curto prazo”.

E as previsões para o exercício avançadas por O’Leary vão mesmo nesse sentido, quando indica a Ryanair espera um resultado do exercício entre o breakeven e um prejuízo de 60 milhões de euros, tendo como pressupostos os níveis de hedging dos combustíveis feitos até à data, um preço médio do barril de petróleo de 130 dólares no quarto trimestre e a estimativa de uma redução em 5% da tarifa média.
Fonte: Presstur

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