Dicas para conhecer a Ilha de Marajó – passeios, onde ficar, onde comer

Atualizado por em 14/09/2017

Rogério Milani

No nosso segundo post da minha viagem para o Pará, confira as melhores dicas para conhecer a Ilha de Marajó!

Dicas para conhecer a Ilha de Marajó

Dicas para conhecer a Ilha de Marajó

Depois de passar um dia conhecendo um pouco dos encantos de Belém do Pará, era hora de realizar outro sonho antigo: viajar até a Ilha de Marajó! Localizada exatamente no encontro dos rios Amazonas e Tapajós com o oceano, a Ilha de Marajó concentra praias atraentes, igarapés e é famosa pelos búfalos, pela tranquilidade e pela rusticidade autêntica que oferece aos turistas.

Aliás, a dica é: não chegue na Ilha de Marajó imaginando que existe estrutura para turista como em outros balneários – não tem. É tudo rústico, simples, caseiro, carinhoso. E inesquecível, real. O tempo lá parece andar mais devagar, como numa realidade paralela, e isso faz parte do encanto e charme do destino.

Dicas para conhecer a Ilha de Marajó

Como ir

A melhor base para conhecer a Ilha do Marajó é Soure, uma cidade de 22 mil habitantes que funciona como uma espécie de capital da ilha. Para chegar até lá, nós contratamos os serviços da ótima Rumo Norte Turismo. Quando pesquisei empresas pra nos atender lá, não tive dúvidas da minha escolha: li resenhas positivas do trabalho deles, achei o site ótimo e super funcional e todo o atendimento por email e WhatsApp foi impecável.

Combinamos que iríamos de catamarã pela empresa Banav e o trajeto levou apenas 2h30min – confira todos os horários de saída no site deles. Achamos bem tranquilo comprar nossa passagem na hora, funcionou como um ticket de ônibus, sem stress e com bastante lugar. 🙂

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Chegando na Ilha

O nosso guia Adriano, da Rumo Norte, já estava nos aguardando junto com o motorista da empresa para nos levar ao primeiro passeio do dia: fomos descobrir a Cerâmica Marajoara e os artigos de couro de búfalo. Visitamos o Ateliê de Cerâmica Marajoara do Artesão Carlos Amaral, que reproduz peças baseadas na cultura Aruan, última etnia indígena a habitar Marajó.

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Dali, visitamos também o Ateliê do Artesão Ronaldo Guedes, artista contemporâneo, que reproduz peças cerâmicas baseadas nas diversas etnias indígenas que habitaram Marajó, além de peças em madeira coletada nas praias e manguezais. O passeio seguinte não rolou, pois o Ateliê de Couro (e curtume) estava fechado para visitações neste dia… O local tem produção artesanal de artigos em couro, tradição transmitida por gerações, que ainda mantém características originais de produção.

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O artista Ronaldo em seu ateliê

A Rumo Norte organizou nosso roteiro na Ilha de Marajó e nos deu algumas opções de lugares para almoçar. Escolhemos a Paracauary Eco Pousada (o preço da refeição típica foi incluído no pacote que fechamos com a Rumo Norte, aliás). O cardápio foi enviado por email e nós escolhemos antes mesmo de iniciar a viagem e era bem marajoara: um espetacularfilé de búfalo com queijo de búfalo e salada, além de uma sobremesa inesquecível à base de creme de frutas. Ainda degustamos um tradicional queijo marajoara com geleia de cupuaçu que ficou na memória afetiva como uma das coisas mais gostosas que comemos na viagem! A decoração do lugar é toda rústica e o restaurante fica na beira do rio Paracauary e tem uma vista linda da exuberante natureza de lá!

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A vista do rio… e o queijo marajoara!

Depois deste banquete, fomos visitar a Praia Barra Velha acompanhados do nosso super guia Adriano. Achamos esta praia diferente, linda e especial. O mais interessante dela é sua paisagem, por isso, é uma ótima opção para quem gosta de curtir novidades surpreendentes quanto à vista do local. A praia é bastante rústica mas fica surpreendentemente perto do centro de Soure. Chegando lá, você vê as muitas barraquinhas à beira com telhado de palha e as construções em estilo palafita também chamam a atenção dos turistas. As casas são assim para escapar das cheias da maré!

Dicas para conhecer a Ilha de Marajó

Pra chegar nessa praia, você anda por uma ponte muito bonita que passa dentro de um mangue! A proximidade da praia com os mangues, aliás, lhe dá uma característica toda especial… O nosso guia explicou que qualquer programa ali tem que ser pensado de acordo com a tábua das marés. A praia se transforma radicalmente na maré baixa e maré alta. Aqui neste super post do Ricardo Freire, você acessa todas as variações da tábua das marés listadas no site da Marinha Brasileira. Como estivemos ali numa hora de maré baixa, não tivemos qualquer tipo de problema – mas se a maré estivesse alta, o espaço na areia não existiria.

A água desta praia é doce (mas juro que parece um mar de água salgada!) e a vegetação é simplesmente fantástica, muito característica pois sempre é modificada pela maré alta! Espia essa árvore:

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Com uma infraestrutura modesta, essa praia é uma excelente opção para quem gosta de tranquilidade e tem espírito aventureiro – a praia é pouco frequentada. Foi muito bacana sentar ali, observar o estilo de vida dos marajoaras, vendo as casas simples em que vivem e a felicidade estampada em cada cumprimento que recebemos.

Se pintar aquela vontade de tomar uma água de coco, uma cervejinha ou comer um petisco, aqui vai um lembrete importante: nenhum dos quiosques que fomos nas praias aceitava cartão. Logo, ande sempre com dinheiro por lá! Mas não deixe de provar a água de coco, é divina, muito mais doce e densa das que costumamos tomar no resto do Brasil, principalmente pelo alto sedimento de minerais que existem no mangue.

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Conhecer estes locais com o Adriano, aliás, fez toda a diferença: ele é biólogo, professor da Unversidade Federal do Pará, que tem uma unidade em Marajó, naturalista e super envolvido com a divulgação da Ilha de Marajó – um verdadeiro apaixonado pelo lifestyle da Ilha, por sua vastíssima natureza e características únicas. O cara é uma verdadeira enciclopédia do local e, com sua ajuda, entendemos muito melhor a Ilha e seus fascínios.

Uma das coisas que ele nos explicou foram as atividades econômicas mais comuns na Ilha de Marajó – a pescaria, o turismo, a caça (especialmente de caranguejos) e também a principal da ilha, a coleta de frutas nativas. Também falou de aspectos culturais, como o ritmo de vida extremamente tranquilo do local, e também da marcante alegria do povo marajoara. Isso não condiz com alguns índices nacionalmente famosos – o arquipélago está entre os dez piores índices IDRH da América Latina mas a população ribeirinha destes locais nos passou uma coisa absolutamente diferente: uma alegria, uma felicidade e uma sabedoria de ter encontrado a melhor forma de viver na simplicidade e tranquilidade. Algo a se admirar nessa nossa cultura maluca de consumo e trabalho sem limites.

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Nosso super guia Adriano, que esteve ao nosso lado na maior parte do dia e fez toda a diferença!

Onde nos hospedamos

Ficamos hospedados no Hotel Casarão da Amazônia e achamos que foi bem boa a experiência. O hotel era bastante confortável mas, ainda assim, simples como todos na Ilha de Marajó. Não espere conforto indo pra lá – todos são mais ou menos parecidos! A cama era boa, o quarto tinha ventilador e ainda tinha uma piscina para quem quisesse aproveitar.

Dicas para conhecer a Ilha de Marajó

Jantamos por lá mesmo – queríamos ter mais uma experiência de culinária local e quisemos experimentar dois pratos bem marajoaras. Pedimos de entrada uma sopa de caranguejos que estava muito boa e, como prato principal, arriscamos algo bem diferente: o espaguete de turu, uma espécie de molusco que cresce nas árvores do mangue e tem até fama de ser afrodisíaco. O aspecto do molusco é meio branco e leitoso e achamos que o prato valeu pela curiosidade, já que não tivemos coragem suficiente para experimentar o turu in natura durante nosso passeio na praia à tarde. Ainda pedimos uma cerveja super local Cerpa (abreviação para Cervejaria Paraense S.A.), uma das mais tradicionais do país, não só do Pará. Foi fundada em 1966 por um imigrante alemão chamado Konrad Karl Seibel e segue até hoje sendo um sucesso por lá. Absolutamente deliciosa!

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Espaguete de turu

Depois do jantar,  estava programado para assistirmos a um ensaio de carimbó do Grupo Cruzeirinho, mas o ensaio foi cancelado e nossa curiosidade vai ficar para a próxima. O carimbó é, sem dúvida, um dos ritmos mais representativos da cultura paraense. De origem indígena, recebeu influências dos negros africanos e dos portugueses, se transformando em uma dança contagiante que não deixa absolutamente ninguém ficar parado. Sabendo disso, os visitantes de Belém sempre incluem no planejamento de sua viagem a meta de conhecer o famoso baile, mas muitas vezes ficam sem saber onde vai rolar a tradicional roda de Carimbó.

Decidimos, então, comer sorvete na Sorveteria da Cenilda. Aliás, dica quente: quando estiver em Belém ou Marajó, aposte nos sorvetes de frutas exóticas como uxi, bacuri, taperebá, cupuaçu e cajarana. A dona da sorveteria produz o fantástico sorvete dela em Belém e leva-o para Marajó por causa do alto custo da luz na Ilha! E, olha, o sorvete dela é tão bom que dizem até ser melhor do que o da Cairu, uma das mais tradicionais sorveterias do Brasil, que fica em Belém! Eu provei o de castanha do ará com cupuaçu e depois outro de açai. A Leti foi de bacuri. Curtimos muito! Fora a simpatia que é a dona Cenilda, ficamos um bom tempo batendo um papo com ela em frente à sorveteria e curtindo a noite, que estava perfeita! Ah, ela também comentou que achava que de agora em diante poderia passar a produzir o seu sorvete em Marajó mesmo, com a chegada da luz fornecida por hidrelétrica e com preço super mais em conta que de gerador.

Depois deste primeiro dia de atividade intensa em Marajó, amanhã tem muito mais aqui no blog – passeio de búfalo, ida ao mangue, mais ótima comida e impressões de tudo o que vivemos na Ilha. Até lá!

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1 Comentário

  1. Que delícia de lugar, já fiquei com vontade de ir! I Blog Pé na Estrada

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